Retrospectiva 2016

O estudo do futuro depende tanto de exercícios de prospecção quanto de um olhar reflexivo sobre o passado. A virada de ano é um dos momentos em que muitos se inclinam sobre as realizações dos últimos meses. A rede Brasil Saúde Amanhã faz o mesmo e destaca alguns conteúdos que marcaram 2016, com grande relevância e repercussão. O projeto apresentou resultados em seminários e oficinas de pesquisa, lançou novo portal, passou a estar presente nas redes sociais on-line e a veicular conteúdo audiovisual. Confira neste especial os destaques da rede Brasil Saúde Amanhã em 2016.

Prospecção Estratégica e Saúde


Prospecção de futuro: uma ação estratégica para a Saúde

A formulação de políticas e programas que promovam a ampliação da qualidade e do acesso às redes de saúde depende não apenas do entendimento dos desafios atuais, como também da antecipação de questões futuras. Para reforçar internamente, na Fiocruz, e setorialmente, na Saúde, a ideia de planejamento em médio e longo prazo, a rede Brasil Saúde Amanhã promoveu, no dia 27 de julho, o seminário “Iniciativas em Prospecção Estratégica Governamental no Brasil”.




Perspectiva territorial e acesso ao sistema de saúde

O Brasil vem experimentando importantes transformações em seus componentes demográficos, como a queda nas taxas de natalidade e o envelhecimento da população, fatores que desafiam as políticas públicas em Saúde. Essas mudanças, entretanto, não ocorrem de forma homogênea em todo o país, cuja dimensão continental é combinada a uma configuração espacial diversa em relação a renda, cultura e oferta de serviços básicos. O enfoque ganhou destaque no segundo painel do seminário “Iniciativas em Prospecção Estratégica Governamental no Brasil”.





Condicionantes da Saúde


Saúde e determinantes sociais no território federativo

“O futuro do setor Saúde depende de como a democracia e a federação brasileiras serão consolidadas”, afirma Patricia Tavares Ribeiro, coordenadora do Centro de Estudos, Políticas e Informação sobre Determinantes Sociais da Saúde, da Ensp/Fiocruz. Nesta entrevista, ela analisa o que precisa avançar, hoje, para que a equidade e a universalidade do SUS se mantenham como princípios na agenda das políticas de saúde no futuro.





Cidadania, participação social e desenvolvimento territorial

Em entrevista, a professora da Universidade Federal do ABC, Vera Coelho, analisa os processos de controle social no SUS e discute suas implicações para o desenvolvimento territorial. Vera destaca que a participação social alcança melhores resultados quando integra sociedade civil, gestores e instituições. “Novos equipamentos de saúde chegam mais rapidamente às regiões onde há aliança entre os conselhos e os gestores de saúde locais”, exemplifica.





População e saúde


Envelhecimento: indicativo de sucesso ou um problema?

“O desafio que enfrentamos hoje está menos relacionado à proporção de idosos que teremos em 2030 e mais com a definição do modelo de sociedade e de sistema de saúde que queremos”. Esta é uma das questões levantadas, nesta entrevista, pela socióloga Dalia Romero, pesquisadora do Laboratório de Informação em Saúde do Icict/Fiocruz, onde lidera o grupo Informação e Pesquisa em Envelhecimento e Saúde do Idoso.






Vírus emergentes: uma fronteira para a Saúde

A epidemia do vírus zika no Brasil lança luz sobre a possibilidade da emergência de novos e desconhecidos vírus, com potencial de causar importante dano à saúde da população. O desafio colocado é a detecção precoce e a oferta ágil de diagnóstico e tratamento adequados”, afirma a epidemiologista Marília Sá Carvalho, pesquisadora da Fiocruz. “O SUS precisa ser capaz de realizar a investigação e o acompanhamento de todas as crianças nascidas no período de risco nos locais onde houve epidemia de zika, de modo que comprometimentos neurológicos sejam detectados precocemente, no âmbito da atenção primária”, defende.





Desenvolvimento e Saúde


Saúde no centro da agenda de desenvolvimento

“É por meio da Saúde, de sua definição como direito, que a população se realiza enquanto nação, que se projeta no futuro, no trabalho, na sua capacidade de se realizar nas dimensões pessoais e profissionais. O setor está no centro da agenda de desenvolvimento”, afirma José Celso Pereira Cardoso Júnior, técnico em planejamento e pesquisa do Ipea. O economista, que participou do seminário “Iniciativas em Prospecção Estratégica Governamental no Brasil”, promovido pela rede Brasil Saúde Amanhã, ressalta nesta entrevista o decisivo papel do Estado no desenvolvimento do país.




Democracia como processo de desenvolvimento

“A democracia não é linear, não é um fim em si. É um processo”. A avaliação é da socióloga Nísia Trindade Lima, vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz. Nesta entrevista, ela aponta como o fortalecimento da democracia brasileira pode impactar positivamente o aprimoramento do SUS, na perspectiva da universalidade, equidade e integralidade. Para o longo prazo, a pesquisadora destaca o desafio de associar as políticas científica e industrial, de forma a desenvolver o CEIS como parte integrante do SUS. Em relação ao futuro do sistema de saúde, é categórica: “não existe determinismo e o futuro será construído pelas ações e políticas empreendidas no presente”.





Saúde e Ambiente


Democracia para superar a injustiça ambiental

“Precisamos desnaturalizar o tema dos desastres ambientais e reconhecer a determinação social desses eventos”, alerta Marcelo Firpo Porto, pesquisador do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Ensp/Fiocruz. Nesta entrevista, ele analisa as perspectivas futuras para o Brasil e o sistema de saúde a partir do conceito de “injustiça ambiental”, decorrente das profundas desigualdades sociais do país.






Os desafios do clima para a Saúde

“É urgente superar a dependência brasileira em relação às commodities”. O alerta é do geógrafo Christovam Barcellos, pesquisador do Laboratório de Informação em Saúde do Icict/Fiocruz e integrante da Rede Clima. Nesta entrevista ele discute a resposta global às mudanças climáticas e aponta a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil, com foco na sustentabilidade.





Financiamento Setorial


Perspectivas para o Brasil, a Economia e a Saúde

Os mitos da insustentabilidade da dívida pública brasileira, da contração fiscal expansionista, da insolvência do Estado e da “farra” do gasto público, entre outras falsas premissas econômicas que vigoram, hoje, no Brasil, foram desconstruídos por especialistas de diferentes instituições, reunidos na última sexta-feira, 16 de dezembro, no seminário “Desenvolvimento, Espaço Fiscal e Financiamento Setorial”, promovido pela rede Brasil Saúde Amanhã em parceria com o Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE).




Mito da responsabilidade fiscal: uma ameaça à universalidade do SUS

“O apego cego à responsabilidade fiscal é, na verdade, uma enorme irresponsabilidade econômica”. A afirmação é do pesquisador Daniel Negreiros Conceição, coordenador do curso de Gestão Pública para o Desenvolvimento Econômico e Social da UFRJ. Em entrevista, o especialista afirma que vê cada vez mais distante o cenário em que o mérito econômico prevaleça sobre o impacto fiscal nas decisões dos governos sobre gastos públicos e arrecadação.





Complexo Econômico e Industrial da Saúde


No horizonte, a produção nacional de medicamentos

“Os estudos prospectivos de futuro são fundamentais para que possamos perceber as lacunas que representam oportunidades e necessidades de investimento na produção de medicamentos”. A afirmação é da sanitarista Vera Lúcia Pepe, pesquisadora do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde da Ensp/Fiocruz. Nesta entrevista, a colaboradora da rede Brasil Saúde Amanhã ressalta a importância da abordagem de longo prazo na definição de prioridades para o setor produtivo nacional.




Medicamentos: altos preços ameaçam acesso universal

Após décadas de avanços em relação às políticas de acesso a medicamentos no Brasil, o futuro da Assistência Farmacêutica encontra-se ameaçado pelos preços exorbitantes atualmente praticados pelo mercado. O alerta é da chefe do Departamento de Política de Medicamentos e Assistência Farmacêutica da Ensp/Fiocruz, Maria Auxiliadora Oliveira. Nesta entrevista, a pesquisadora discute as tendências para o setor no horizonte dos próximos 20 anos.






Organização do Sistema de Saúde


Câncer: ações apenas na Saúde estão fadadas ao insucesso

“Restrições relacionadas a condições socioeconômicas influenciam diretamente a incidência e a mortalidade por alguns tipos de câncer. Pensar em investimentos centrados exclusivamente no setor Saúde é estar fadado ao insucesso. As necessidades de saúde exigem ações intersetoriais”, ressalta Enirtes Caetano Prates Melo, pesquisadora da Ensp/Fiocruz. Nesta entrevista, a epidemiologista comenta os desafios de médio e longo prazo para a Atenção Oncológica no Brasil.




Consolidação, estagnação ou desmantelamento do SUS?

As projeções para as políticas sociais brasileiras nas próximas décadas – tema do Texto para Discussão 14, de Ana Luiza d´Ávila Viana e Hudson Pacifico da Silva – apontam três cenários para o Brasil no horizonte dos próximos 20 anos: o social-desenvolvimentista, o social-liberal e uma combinação de ambos. Nesta entrevista, a pesquisadora Luciana Dias de Lima, da Ensp/Fiocruz, comenta os futuros possíveis para o Brasil e o SUS, a partir do investimento ou não em políticas sociais.





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