Entrevistas - Saúde Amanhã - Page 3

Ciência de Dados e a prospecção de futuro

segunda-feira, 28, novembro , 2016 por

Big data, machine learning, deep learning, wearables. O desenvolvimento tecnológico traz, para o dia a dia de pessoas e instituições, novidades capazes de alterar profundamente rotinas e processos. No setor Saúde não é diferente. O Icict/Fiocruz inova nesta direção ao lançar a plataforma Ciência de Dados Aplicada à Saúde. Nesta entrevista, o idealizador da inciativa, o pesquisador Marcel Pedroso, do Laboratório de Informação em Saúde do Icict, comenta as suas contribuições para os estudos de prospecção estratégica do futuro. “Implementamos o conceito de Plataforma como Serviço (PaaS — Platform as a Service), ou seja, nossa plataforma oferece um serviço de Ciência de Dados, área do conhecimento construída a partir da convergência de três grandes expertises: a estatística e matemática; a ciência da computação; e o domínio científico do objeto em estudo – neste caso, a Saúde”, explica Marcel.

“Condições socioeconômicas influenciam diretamente a incidência e a mortalidade por alguns tipos de câncer. Pensar em investimentos centrados exclusivamente no setor Saúde é estar fadado ao insucesso. As necessidades de saúde exigem ações intersetoriais”, ressalta Enirtes Melo, pesquisadora da Ensp/Fiocruz. Em entrevista, ela comenta os desafios de médio e longo prazo para a Atenção Oncológica, considerando a concorrência das doenças crônicas não transmissíveis e as enfermidades evitáveis, mais comuns entre as populações pobres. “Prospectivamente, não advogo a favor de cenários pessimistas para as políticas sociais no Brasil. Penso em um cenário intermedário, marcado pela tensão entre a política social e a econômica. Entretanto, mesmo nesta perspectiva, o SUS está fortemente ameaçado”, adverte.

Intersetorialidade para promover a saúde do idoso

segunda-feira, 31, outubro , 2016 por

“O envelhecimento saudável começa no pré-natal”. É assim que a psicóloga Angela Castilho, do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, da Ensp/Fiocruz, chama atenção para a importância da integralidade na atenção à saúde do idoso. Dia 25 de outubro, Angela participou do seminário “Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa: desafios da implementação”, promovido pelo Icict/Fiocruz. Na ocasião, apresentou a palestra “Capacitação da Atenção Básica e da Gestão: superando desafios na área do envelhecimento”. Nesta entrevista, ela aponta os desafios para a atenção integral à saúde do idoso no horizonte dos próximos 20 anos e alerta: “Se o modelo hospitalocêntrico, centrado na doença, persistir, o SUS não terá condições de garantir a atenção à saúde do idoso com universalidade, equidade e integralidade”.

“O desafio que enfrentamos hoje está menos relacionado à proporção de idosos que teremos em 2030 e mais com a definição do modelo de sociedade e de sistema de saúde que queremos”. Esta é uma das questões levantadas, nesta entrevista, pela socióloga Dalia Romero, pesquisadora do Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), onde lidera o grupo Informação e Pesquisa em Envelhecimento e Saúde do Idoso. Compreendendo o envelhecimento da população como um fator de sucesso, a especialista ressalta a importância dos estudos prospectivos de futuro: “É fundamental comparar modelos de sociedade para que possamos decidir coletivamente, por meio de um pacto social, qual caminho vamos todos seguir”.

Uma mudança estrutural para a Saúde

segunda-feira, 10, outubro , 2016 por

“É preciso reorganizar o sistema de saúde para que seja possível ofertar atenção integral aos idosos”. A recomendação é do médico Renato Peixoto Veras, diretor da Universidade Aberta da Terceira Idade, da UERJ. Nesta entrevista, o médico discute o futuro do sistema de saúde em um cenário em que 26,7% da população brasileira terá mais de 65 anos, conforme previsto para 2060 pelo IBGE. Para Veras, é fundamental que o SUS reveja seu modelo de atenção, o financiamento setorial e a formação de recursos humanos, para que seja possível atender as necessidades presentes e futuras de uma população em processo de envelhecimento. “Diante da certeza de que doenças crônicas vão prevalecer entre os idosos, devemos trabalhar no sentido da prevenção desses agravos e da promoção da saúde e do autocuidado”, orienta.

A Saúde na Justiça

segunda-feira, 03, outubro , 2016 por

A retomada, no Supremo Tribunal Federal (STF), do julgamento de processos sobre fornecimento de medicamentos de alto custo pelo SUS reacende a polêmica sobre a judicialização da Saúde, no momento em que a sustentabilidade financeira do SUS é ameaçada pelo Novo Regime Fiscal, que impõe teto para os gastos públicos nos próximos 20 anos, por meio da PEC 241. Prática crescente no Brasil, a judicialização da Saúde onera União, estados e municípios e desafia a organização do sistema de saúde. Nesta entrevista, o sanitarista José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde e membro titular da Academia Nacional de Medicina, discute os impactos da judicialização para a universalidade e a equidade do SUS.

No horizonte, a produção nacional de medicamentos

segunda-feira, 26, setembro , 2016 por

“Os estudos prospectivos de futuro são fundamentais para que possamos perceber as lacunas que representam oportunidades e necessidades de investimento na produção de medicamentos”. A afirmação é da sanitarista Vera Lúcia Pepe, pesquisadora da Ensp/Fiocruz. Nesta entrevista, ela ressalta a importância da abordagem de longo prazo na definição de prioridades para o setor produtivo nacional. “Uma vez identificada a lista de produtos prioritários para o SUS, o passo seguinte é definir como essas carências serão superadas. E isso pode ocorrer por meio de PDPs, do desenvolvimento de outras apresentações farmacêuticas para fórmulas que já são produzidas, mas não alcançam a totalidade da população, ou ainda pela produção de genéricos, caso as patentes estejam em vias de expirar”, defende.

Editorias

Acesso a medicametos em xeque

segunda-feira, 19, setembro , 2016 por

“A sociedade brasileira deve estar atenta e mobilizada para defender os seus direitos e impedir retrocessos”. O alerta é do farmacêutico Ronald Ferreira dos Santos, presidente do Conselho Nacional de Saúde e da Federação Nacional dos Farmacêuticos. Nesta entrevista, ele comenta os desafios a serem enfrentados pelo setor brasileiro de medicamentos em médio e longo prazo. Para o farmacêutico, no horizonte dos próximos 20 anos o principal entrave aos avanços na área diz respeito a retrocessos fiscais que podem se concretizar no curto prazo, por exemplo, por meio da PEC 241/2016. “Se essa agenda for aprovada, é possível que o SUS, como o conhecemos hoje, deixe de existir. Neste cenário, não só medicamentos não estarão mais disponíveis para a população, mas a própria saúde pública estará em xeque”, destaca.

As projeções para as políticas sociais brasileiras nas próximas décadas – tema do Texto para Discussão 14, de Ana Luiza d´Ávila Viana e Hudson Pacifico da Silva – apontam três cenários para o Brasil no horizonte dos próximos 20 anos: o social-desenvolvimentista, o social-liberal e uma combinação de ambos. O mais pessimista, em que o Estado tem papel residual e as forças de mercado têm maior participação no desenvolvimento, prevê o desmantelamento do SUS. Nesta entrevista, a pesquisadora Luciana Dias de Lima, do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde da Ensp/Fiocruz, comenta os futuros possíveis para o Brasil e o SUS, a partir do investimento ou não em políticas sociais. “O contexto de instabilidade política traz ameaças para a democracia, faz com que o cenário social-liberal ganhe força nas projeções de futuro e compromete as políticas sociais. Se este cenário vigorar, os riscos de retrocesso no setor Saúde serão imensos”, alerta.

Pela radicalização da democracia

segunda-feira, 29, agosto , 2016 por

“A construção de uma visão nacional sobre o futuro que queremos só poderá ser feita a partir da radicalização da democracia e da ampliação dos meios de participação social”. A avaliação é da economista Mayra Juruá de Oliveira, assessora do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), que em julho participou do seminário “Iniciativas em Prospecção Estratégica Governamental no Brasil”, promovido pela rede Brasil Saúde Amanhã, na Fiocruz. Nesta entrevista, a pesquisadora apresenta metodologias aplicadas em estudos prospectivos de futuro e comenta os impasses enfrentados pelas iniciativas que buscam instrumentalizar políticas públicas, especialmente na área de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde.

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