Equidade Amanhã

Garantir qualidade de vida, ampliando o acesso ao sistema de saúde a uma população de idosos cada vez maior e diminuindo as desigualdades socioeconômicas e de saúde. Este é o desafio que o SUS enfrentará no horizonte dos próximos 20 anos para assegurar o princípio da equidade. De acordo com as projeções do IBGE, idosos representarão 13,44% da população brasileira em 2030 e 26,7% em 2060. Este especial destaca reflexões propostas por pesquisadores brasileiros e estrangeiros que participaram de dois eventos marcantes sobre iniquidade em saúde, em dezembro de 2016: a apresentação dos resultados da edição 2013 da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) no centro de estudos do Icict/Fiocruz, o maior inquérito sobre o tema já realizado no país, e o seminário “Desafios da Regionalização e Conformação de Redes de Atenção em Contexto de Crise e de Desigualdades Territoriais”, promovido pelo Departamento de Administração e Planejamento em Saúde da Ensp/Fiocruz, que reuniu estudiosos de diversos campos disciplinares para discutir as repercussões da conjuntura política e econômica e das desigualdades regionais na universalização do acesso à saúde. Dentre muitos debates, uma certeza: é preciso investir em políticas sociais que atuem diretamente sobre os determinantes sociais da saúde.




Entrevistas

No horizonte, o enfrentamento da iniquidade em saúde

“O desafio é claro: a população brasileira está envelhecendo, demandará cada vez mais cuidados assistidos e o Estado não tem, hoje, uma política de apoio e suporte para essas pessoas. Se seguirmos este caminho, o resultado será uma desigualdade ainda maior no acesso à saúde, justamente no momento da vida que requer mais atenção”. A conclusão é da médica Deborah Malta, pesquisadora da UFMG e uma das coordenadoras da PNS 2013. Nesta entrevista, ela comenta as principais conclusões do maior inquérito populacional sobre saúde já realizado no Brasil e aponta tendências preocupantes para o futuro, como a intensificação das doenças crônicas não transmissíveis e a necessidade de mais investimentos e ações intersetoriais. Deborah alerta: “É preciso antever a ‘cidade do futuro’ e somar esforços da Saúde, da Educação, da Assistência Social, dos Transportes, enfim, de todos os setores da sociedade, para que o cuidado aos idosos se desenvolva de forma integral”.

Regionalizar para universalizar

“Como garantir o acesso à saúde em escalas territoriais muito pequenas?”. Para a médica mexicana Asa Cristina Laurell, pesquisadora do Centro de Análisis y Estudios de Seguridad Social, este é o dilema que impõe tantos desafios à regionalização dos sistemas de saúde. A pesquisadora, uma das mais representativas da Medicina Social na América Latina, participou do seminário “Desafios da Regionalização e Conformação de Redes de Atenção em Contexto de Crise e de Desigualdades Territoriais”. Nesta entrevista ela aponta os desafios para a garantia da equidade no SUS e as ameaças da agenda neoliberal à garantia da saúde como direito. “Os sistemas de saúde são um terreno de luta política e ideológica”, defende.




PNS 2013: Pesquisa Nacional de Saúde

PNS 2013: entrevista com James Macinko
Nos últimos 30 anos, o Brasil vivenciou transformações intensas em termos de desenvolvimento socioeconômico, urbanização e assistência à saúde. Por outro lado, com o envelhecimento populacional e as mudanças no perfil de morbimortalidade, as doenças crônicas não transmissíveis e as causas externas, como violências e acidentes de trânsito, vêm se tornando as maiores preocupações do sistema de saúde e apontam novos desafios para o futuro. Os resultados da PNS 2013, apresentados por Celia Landmann e James Macinko, editores do suplemento especial do International Journal for Equity in Health sobre o tema, detalham este quadro.

Panorama da iniquidade em saúde no Brasil

Doenças crônicas não transmissíveis, acidentes de trânsito, violências, desigualdades socioeconômicas e iniquidade no acesso ao SUS. Esses são os principais desafios para o setor Saúde no horizonte dos próximos 20 anos, de acordo com os resultados da última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada em 2013 pela Fiocruz e o IBGE. Os resultados, publicados em novembro de 2016 em um suplemento especial do International Journal for Equity in Health, foram apresentados no Centro de Estudos do Icict/Fiocruz.




DESIGUALDADES TERRITORIAIS

Regionalização e conformação de redes em debate

O seminário “Desafios da Regionalização e Conformação de Redes de Atenção em Contexto de Crise e de Desigualdades Territoriais” reuniu grupo multidisciplinar de especialistas para debater os dilemas relacionados à conjuntura política e econômica e às desigualdades territoriais para a organização do sistema de saúde brasileiro. Durante o evento, realizado na Ensp/Fiocruz, palestrantes apresentaram o histórico de transformações socioeconômicas das últimas décadas, traçando um paralelo entre o caso brasileiro e a experiência de outros países latino-americanos. Trataram, também, da multiplicidade de agentes públicos e privados envolvidos na organização de redes de atenção à saúde no Brasil e discutiram tendências para o futuro. 



TEXTOS PARA DISCUSSÃO

TD 01 - Dinâmica demográfica e distribuição espacial da população - O acesso aos serviços de Saúde

Antônio Tadeu Ribeiro de Oliveira, Maria Monica Vieira Caetano O’Neill



TD 11- Investimentos sustentáveis - Investir hoje pensando no futuro

Walter Mendes , Luisa Regina Pessôa, Ildary Machado , Maria Tereza Farzatt Siciliano





TD 15 - Condicionantes da regionalização da saúde no Brasil

Luciana Dias de Lima





TD 18 - Os recursos físicos de saúde no Brasil: um olhar para o futuro

Isabela Soares Santos , Juliana Pires Machado , Luisa Regina Pessôa , Ana Cristina Marques Martins , Claudia Risso de Araujo Lima



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