“As mudanças climáticas estão estreitamente conectadas às desigualdades sociais e por isso é preciso fortalecer os mecanismos de proteção das populações mais vulneráveis, como os sistemas universais de saúde”. A recomendação é do geógrafo Christovam Barcellos, pesquisador do Laboratório de Informação em Saúde (LIS) do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde

“Sem investimento em políticas públicas, o Estado brasileiro empobrecerá junto com a população e não terá condições de mitigar as causas que levarão pessoas a desenvolver mais doenças e a morrer mais precocemente”. A previsão é do sanitarista Paulo Buss, diretor do Centro de Relações Internacionais da Fiocruz e ex-presidente da Fundação. Nesta entrevista, ele comenta a contradição entre a política de austeridade fiscal determinada pela Emenda Constitucional 55 (EC 55) e a garantia da saúde como direito de todos, conforme preconiza a Constituição Federal. “Hoje, a política fiscal favorece os ricos e sobrecarrega os pobres, pois está centrada no consumo das famílias e não sobre as grandes riquezas. Enquanto o modelo de desenvolvimento vigorar sob essas condições, as pessoas vão perder qualidade de vida, vão adoecer mais e o sistema de saúde terá menos condições de atendê-las plenamente”, afirma.

“O desafio é claro: a população brasileira está envelhecendo, demandará cada vez mais cuidados assistidos e o Estado não tem, hoje, uma política de apoio e suporte para essas pessoas. Se seguirmos este caminho, o resultado será uma desigualdade ainda maior no acesso à saúde, justamente no momento da vida que requer mais atenção”. A conclusão é da médica Deborah Malta, uma das coordenadoras da PNS 2013. Nesta entrevista, ela comenta as principais conclusões do maior inquérito populacional sobre saúde já realizado no Brasil e aponta tendências preocupantes para o futuro, como a intensificação das doenças crônicas e a necessidade de mais investimentos e ações intersetoriais. Deborah alerta: “É preciso antever a ‘cidade do futuro’ e somar esforços da Saúde, da Educação, da Assistência Social, dos Transportes, enfim, de todos os setores da sociedade, para que o cuidado aos idosos se desenvolva de forma integral”.

“Condições socioeconômicas influenciam diretamente a incidência e a mortalidade por alguns tipos de câncer. Pensar em investimentos centrados exclusivamente no setor Saúde é estar fadado ao insucesso. As necessidades de saúde exigem ações intersetoriais”, ressalta Enirtes Melo, pesquisadora da Ensp/Fiocruz. Em entrevista, ela comenta os desafios de médio e longo prazo para a Atenção Oncológica, considerando a concorrência das doenças crônicas não transmissíveis e as enfermidades evitáveis, mais comuns entre as populações pobres. “Prospectivamente, não advogo a favor de cenários pessimistas para as políticas sociais no Brasil. Penso em um cenário intermedário, marcado pela tensão entre a política social e a econômica. Entretanto, mesmo nesta perspectiva, o SUS está fortemente ameaçado”, adverte.

Os desafios do clima para a Saúde

segunda-feira, 27, junho , 2016 por

“É urgente superar a dependência brasileira em relação às commodities”. O alerta é do geógrafo Christovam Barcellos, pesquisador do Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e integrante da Rede Clima. Nesta entrevista ele discute a resposta global às mudanças climáticas e aponta a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil, com foco na sustentabilidade. “Se apostarmos novamente no caminho do gado e da soja teremos problemas sérios em médio e longo prazo, como o aumento do desmatamento e da emissão de gases de efeito estufa, a transformação de áreas protegidas em vulneráveis e a intensificação de algumas doenças, sobretudo as transmitidas por mosquitos”, sentencia.

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