“O direito à vida é o que melhor ilustra o desafio do envelhecimento: viver a vida, a vida com saúde”. A afirmação é da socióloga Dalia Romero, pesquisadora em Saúde Pública do Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz). Nesta entrevista, ela explora o tema do próximo seminário da iniciativa Brasil Saúde Amanhã, em abril, e do novo livro organizado pelo projeto, a ser lançado este ano: longevidade e políticas de saúde. Dalia apresenta um novo paradigma de envelhecimento saudável e aponta o Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção Primária à Saúde (APS) e a Estratégia Saúde da Família (ESF) como eixos centrais para o cuidado à saúde dos idosos. “Não é possível garantir envelhecimento saudável sem estado de bem-estar, sem políticas de proteção social, sem um sistema de saúde universal, público, gratuito e de qualidade. O fortalecimento do SUS e da Atenção Básica é o caminho para o futuro que desejamos”, defende.

Pandemia da desigualdades

terça-feira, 15, fevereiro , 2022 por

“O Brasil precisa escolher quais serão os legados da pandemia de Covid-19 para o país”. A recomendação é do epidemiologista Rômulo Paes de Sousa, pesquisador da Fiocruz Minas e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que nesta entrevista comenta o relatório “A desigualdade mata”, publicado pela Oxfam em janeiro. Autor do “Brevíssimo inventário dos fracassos no enfrentamento da Covid-19 no Brasil”, publicado na Revista Brasileira de Estudos de População no ano passado, Paes de Sousa discute o desempenho nacional no enfrentamento da emergência sanitária provocada pelo novo coronavírus. “Ao mesmo tempo em que revela a iniquidade em saúde em todo o mundo, a pandemia produz, ela própria, mais desigualdades. Então, é preciso que a pandemia de Covid-19 produza um legado à altura de seus impactos sobre as várias gerações que convivem com ela. Se o Brasil não fizer isso imediatamente, chegará atrasado para produzir uma resposta tão fundamental como esse momento histórico nos cobra”, afirma.

“As mudanças climáticas estão estreitamente conectadas às desigualdades sociais e por isso é preciso fortalecer os mecanismos de proteção das populações mais vulneráveis, como os sistemas universais de saúde”. A recomendação é do geógrafo Christovam Barcellos, pesquisador do Laboratório de Informação em Saúde (LIS) do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde

“Se há um tema sobre o qual é urgente se pensar na área de saúde, esse tema é o das tecnologias digitais e seus impactos sobre as formas de produzir saúde”. A afirmação é do antropólogo Leonardo Castro, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e coordenador do projeto de pesquisa “Implicações

“A equidade é o mote da Agenda 2030. O lema Ninguém deixado para trás é uma tradução clara do que é a equidade. Não basta pensar em políticas gerais, em indicadores de médias; é preciso pensar naqueles que de fato estão em condições mais vulneráveis”. A afirmação é do sanitarista Paulo Gadelha, coordenador da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 e ex-presidente da Fundação. Em setembro, o coordenador da iniciativa Brasil Saúde Amanhã abriu o seminário “Saúde, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável” e participou intensamente do evento, que discutiu a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e lançou olhares para o futuro do Brasil e do sistema de saúde. Ele moderou o painel “Perspectivas e Desafios da Agenda 2030”, com os também ex-presidentes da Fiocruz, Paulo Buss e Carlos Morel, e o pesquisador Josué Laguardia, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz). Nesta entrevista, Gadelha apresenta a Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 e discute os desafios atuais e futuros para a conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “A Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 é um dos eixos centrais para as atividades de prospecção de futuro da Fiocruz, a exemplo da iniciativa Brasil Saúde Amanhã, que com seu horizonte móvel de 20 anos nos coloca além de 2030”, afirma.

O papel do setor Saúde no desenvolvimento do país e os desafios colocados para o Brasil pela Agenda 2030 das Nações Unidas estão em pauta na Fiocruz, dias 11 e 12 de setembro, durante o seminário “Saúde Ambiente e Desenvolvimento Sustentável”, promovido pela rede Brasil Saúde Amanhã. Nesta entrevista, o economista Carlos Gadelha, coordenador das Ações de Prospecção da Fiocruz, analisa o contexto global e nacional e afirma: “O Sistema Único de Saúde (SUS) e o Complexo Econômico e Industrial da Saúde (CEIS) são as pré-condições – ou as únicas oportunidades – para que o Brasil atinja os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. Eles não são problemas para o país. São parte indispensável da solução. Sem o SUS, não há desenvolvimento sustentável”. Nesta segunda-feira, o pesquisador do Grupo de Inovação em Saúde da Fiocruz participa do primeiro painel de debates, “Desenvolvimento e Sustentabilidade”. Acompanhe o seminário “Saúde Ambiente e Desenvolvimento Sustentável” em Saúde Amanhã.

“É preciso uma mudança cultural sobre o que é saúde e sobre qual o papel do Estado em nossa sociedade”. A avaliação é do sanitarista Paulo Duarte de Carvalho Amarante, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Referência em Saúde Mental, Amarante defende

“É preciso adequar o padrão científico, tecnológico e de inovação do país ao modelo de sociedade que desejamos construir”. A avaliação é do economista Carlos Gadelha, coordenador das Ações de Prospecção da Fiocruz, onde lidera Grupo de Pesquisa sobre Desenvolvimento, Complexo Econômico e Industrial da Saúde e Inovação em Saúde. Nesta entrevista, o pesquisador apresenta as reflexões do livro “Brasil Saúde Amanhã – Complexo Econômico-Industrial da Saúde”, que traz saberes e olhares de dez autores sobre o sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação. Organizada por Carlos Gadelha, Paulo Gadelha, José Carvalho de Noronha e Telma Ruth Pereira, a publicação será lançada em breve pela editora Fiocruz. Em síntese, Carlos Gadelha adianta: “Devemos inverter a lógica: em vez de questionar se o Estado de bem-estar cabe no PIB, é preciso entendê-lo como alavanca para um projeto de desenvolvimento dinâmico, equitativo, inovador e inclusivo”.

Editorias

“Equilibrar variáveis que representam restrições ao investimento em Saúde é o exercício de racionalidade que buscamos desenvolver a partir de modelos matemáticos orientados pela noção de justiça e equidade”. Com esta proposta, o sanitarista Francisco Carlos Cardoso Campos, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e colaborador da rede Brasil Saúde Amanhã, apresentou o estudo “Prioridades de Investimentos em Saúde no Brasil: subsídios para elaboração de uma proposta metodológica”, dia 18 de abril, no Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), durante a reunião de difusão “Critérios para Investimentos em Saúde”. Nesta entrevista Campos explica como modelos matemáticos podem auxiliar a definição de prioridades em saúde em médio e longo prazo, de forma a garantir a universalidade, a equidade e a integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS). “Escolhas que no passado eram pautadas basicamente por dados epidemiológicos hoje podem ser embasadas por critérios de justiça. Somente assim é possível fundamentar uma série de iniciativas que, de outra forma, não teriam relevância quantitativa para alcançar o status de prioridade”, afirma.

Impactos do mal-estar social sobre a Saúde

terça-feira, 02, maio , 2017 por

“O que acontecerá às novas gerações? O que lhes acontecerá, se mantidos os padrões atuais de iniquidade, privação, asfixia dos direitos sociais e políticos, violência, guerras, concentração extrema da riqueza?”. A reflexão é proposta pelo pesquisador Pedro Gabriel Delgado, do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nesta entrevista, ele explora a zona de fronteira entre o mal-estar contemporâneo e os transtornos mentais e aponta a Atenção Psicossocial como alternativa à medicalização. “Temos que defender o SUS e o retorno da democracia. Não vislumbro um cenário de atenção a 11 milhões de pessoas, como aponta a OMS para o Brasil em relação à depressão, sem um sistema de saúde público, universal, intersetorial, que desenvolva políticas ativas de garantia do acesso”, defende.

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