“É preciso uma mudança cultural sobre o que é saúde e sobre qual o papel do Estado em nossa sociedade”. A avaliação é do sanitarista Paulo Duarte de Carvalho Amarante, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Referência em Saúde Mental, Amarante defende

“É preciso adequar o padrão científico, tecnológico e de inovação do país ao modelo de sociedade que desejamos construir”. A avaliação é do economista Carlos Gadelha, coordenador das Ações de Prospecção da Fiocruz, onde lidera Grupo de Pesquisa sobre Desenvolvimento, Complexo Econômico e Industrial da Saúde e Inovação em Saúde. Nesta entrevista, o pesquisador apresenta as reflexões do livro “Brasil Saúde Amanhã – Complexo Econômico-Industrial da Saúde”, que traz saberes e olhares de dez autores sobre o sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação. Organizada por Carlos Gadelha, Paulo Gadelha, José Carvalho de Noronha e Telma Ruth Pereira, a publicação será lançada em breve pela editora Fiocruz. Em síntese, Carlos Gadelha adianta: “Devemos inverter a lógica: em vez de questionar se o Estado de bem-estar cabe no PIB, é preciso entendê-lo como alavanca para um projeto de desenvolvimento dinâmico, equitativo, inovador e inclusivo”.






Editorias

“Equilibrar variáveis que representam restrições ao investimento em Saúde é o exercício de racionalidade que buscamos desenvolver a partir de modelos matemáticos orientados pela noção de justiça e equidade”. Com esta proposta, o sanitarista Francisco Carlos Cardoso Campos, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e colaborador da rede Brasil Saúde Amanhã, apresentou o estudo “Prioridades de Investimentos em Saúde no Brasil: subsídios para elaboração de uma proposta metodológica”, dia 18 de abril, no Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), durante a reunião de difusão “Critérios para Investimentos em Saúde”. Nesta entrevista Campos explica como modelos matemáticos podem auxiliar a definição de prioridades em saúde em médio e longo prazo, de forma a garantir a universalidade, a equidade e a integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS). “Escolhas que no passado eram pautadas basicamente por dados epidemiológicos hoje podem ser embasadas por critérios de justiça. Somente assim é possível fundamentar uma série de iniciativas que, de outra forma, não teriam relevância quantitativa para alcançar o status de prioridade”, afirma.






Impactos do mal-estar social sobre a Saúde

terça-feira, 02, maio , 2017 por

“O que acontecerá às novas gerações? O que lhes acontecerá, se mantidos os padrões atuais de iniquidade, privação, asfixia dos direitos sociais e políticos, violência, guerras, concentração extrema da riqueza?”. A reflexão é proposta pelo pesquisador Pedro Gabriel Delgado, do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nesta entrevista, ele explora a zona de fronteira entre o mal-estar contemporâneo e os transtornos mentais e aponta a Atenção Psicossocial como alternativa à medicalização. “Temos que defender o SUS e o retorno da democracia. Não vislumbro um cenário de atenção a 11 milhões de pessoas, como aponta a OMS para o Brasil em relação à depressão, sem um sistema de saúde público, universal, intersetorial, que desenvolva políticas ativas de garantia do acesso”, defende.






A fronteira do sofrimento humano

segunda-feira, 17, abril , 2017 por

Tema do Dia Mundial da Saúde, comemorado em 7 de abril, a depressão vem chamando atenção da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de sistemas de saúde em todo o mundo: mais de 300 milhões de pessoas convivem, hoje, com o transtorno, 11 milhões somente no Brasil. Um desafio novo para a Saúde Pública, que encontra eco no modelo de desenvolvimento e no estilo de vida da sociedade contemporânea. Nesta entrevista, o psiquiatra Jurandir Freire Costa, pesquisador emérito do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ), comenta a explosão de casos de depressão no Brasil e no mundo e propõe um olhar mais abrangente sobre a doença, que vai além da medicalização patrocinada pela indústria farmacêutica. “Daqui a vinte anos, talvez, possamos vir a compreender a depressão psiquiátrica para além da indústria farmacêutica. E, então, vir a pesquisar, com o respeito que exige essa enigmática forma do sofrimento humano, o que é a depressão”, afirma Jurandir.






Por direitos, contra privilégios

segunda-feira, 10, abril , 2017 por

“De todas as formas, todos os dias, precisamos nos comprometer com a democracia, as políticas públicas e o desenvolvimento humano e social”, convoca o presidente da Abrasco, Gastão Wagner. Às vésperas do 3º Congresso de Política, Planejamento e Gestão em Saúde, a ser realizado pela Associação de 1º a 4 de maio em Natal, RN, o sanitarista comenta o que classifica como uma “barbárie sanitária”: estratégias de desqualificação do serviço púbico, das instituições e das equipes técnicas, a fim de inviabilizar a universalidade, a equidade e a integralidade do SUS. “Em uma época em que governos assumem posturas retrógradas, conservadoras, contra os direitos sociais, é fundamental intensificarmos a construção do sistema de saúde que desejamos para o Brasil, a partir da base. E isso se faz no dia a dia, em ações cotidianas em defesa da Constituição Federal, do direito à saúde, dos princípios do SUS”, afirma Gastão.






O dilema do acesso à água

segunda-feira, 03, abril , 2017 por

“É preciso olhar para o presente para projetar o futuro. Nesse sentido, a conjuntura atual aponta para direções preocupantes e não para o cumprimento das metas nacionais e globais de acesso à água potável e ao esgotamento sanitário”. A avaliação é do sanitarista Léo Heller, pesquisador da Fiocruz Minas e relator especial dos Direitos Humanos à Água e ao Esgotamento Sanitário da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta entrevista, ele analisa a viabilidade da Agenda 2030 da ONU e a conquista do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 6 (ODS 6), que prevê o acesso universal à água potável e ao esgotamento sanitário. Apesar de todos os desafios, Heller reconhece: “É muito importante que as metas para o futuro sejam arrojadas e incentivem os países a fazerem o máximo para atingi-las: se organizarem politicamente, se estruturarem institucionalmente e investirem recursos públicos”.






Editorias

“A pergunta que precisamos fazer é como o sistema de saúde responderá, hoje e no futuro, às necessidades das diferentes populações e territórios que compõem o Brasil”. O questionamento é da economista Ana Luiza Viana, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora da iniciativa “Política, Planejamento e Gestão das Regiões e Redes de Atenção à Saúde no Brasil”, que deu origem ao portal Região e Redes. Nesta entrevista, Ana Luiza explica como a fragilidade do espaço de negociação e pactuação intergovernamental passou a ser uma nova marca do Sistema Único de Saúde (SUS) e dispara: “O que dificulta a organização de uma rede integrada? Sem dúvida, a proliferação de organizações com lógicas distantes das necessidades de saúde, que sem regulação e comando estatal definem tanto a sua expansão como o seu funcionamento no território”.






“Sem investimento em políticas públicas, o Estado brasileiro empobrecerá junto com a população e não terá condições de mitigar as causas que levarão pessoas a desenvolver mais doenças e a morrer mais precocemente”. A previsão é do sanitarista Paulo Buss, diretor do Centro de Relações Internacionais da Fiocruz e ex-presidente da Fundação. Nesta entrevista, ele comenta a contradição entre a política de austeridade fiscal determinada pela Emenda Constitucional 55 (EC 55) e a garantia da saúde como direito de todos, conforme preconiza a Constituição Federal. “Hoje, a política fiscal favorece os ricos e sobrecarrega os pobres, pois está centrada no consumo das famílias e não sobre as grandes riquezas. Enquanto o modelo de desenvolvimento vigorar sob essas condições, as pessoas vão perder qualidade de vida, vão adoecer mais e o sistema de saúde terá menos condições de atendê-las plenamente”, afirma.






Em 2030, a população mundial demandará 80 milhões de profissionais de saúde, enquanto 65 milhões estarão no mercado de trabalho. A estimativa, que reforça a análise da crise global da força de trabalho em saúde, identificada em 2006 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é resultado do estudo “Projeções globais do mercado de trabalho em saúde para 2030”, publicado recentemente no periódico internacional “Recursos Humanos para a Saúde”. Para o médico Mario Roberto Dal Poz, pesquisador do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e colaborador da rede Brasil Saúde Amanhã, mudar este cenário é possível. Dal Poz atuou por 15 anos como coordenador de Recursos Humanos em Saúde da OMS e, nesta entrevista, defende que o problema tem solução. “Em um cenário otimista, a reorganização do modelo de atenção à saúde pode gerar ganhos de produtividade capazes de reduzir substancialmente o déficit projetado para a força de trabalho. O maior desafio é direcionar investimentos para aumentar a produtividade: na gestão, na formação, no uso de tecnologias, no modelo de atenção”, afirma.






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