Saúde do Idoso Amanhã

Em 2060, 26,7% do total da população brasileira terá mais de 65 anos: serão 58,4 milhões de idosos. O cenário traz desafios para o país e o sistema de saúde, indicando a necessidade de políticas públicas para este segmento da população. Considerando o Dia Internacional do Idoso, 1º de outubro, a rede Brasil Saúde Amanhã reúne referências sobre o tema e chama atenção para um grave problema: a discriminação contra idosos, muitas vezes alvo de estigmas e maus tratos pela própria família, colegas de trabalho, mídia e a sociedade em geral. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que estereótipos influenciam comportamentos individuais e coletivos, políticas públicas e até o desenvolvimento de pesquisas científicas. E aponta que idosos com atitudes negativas em relação ao envelhecimento vivem até 7,5 anos menos que aqueles que reconhecem o lado positivo desta fase da vida. A situação é tão alarmante que a OMS lança a campanha Take a Stand Against Ageism, em defesa dos idosos. No Brasil, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa garante o direito ao envelhecimento saudável. Afinal, preservar a autonomia e a independência funcional são compromissos do SUS com a população brasileira. E toda a sociedade deve colaborar para que possamos envelhecer com saúde e cidadania.

Intersetorialidade para promover a saúde do idoso

“O envelhecimento saudável começa no pré-natal”. É assim que a psicóloga Angela Castilho, do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, da Ensp/Fiocruz, chama atenção para a importância da integralidade na atenção à saúde do idoso. Dia 25 de outubro, Angela participou do seminário “Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa: desafios da implementação”, promovido pelo Icict/Fiocruz. Na ocasião, apresentou a palestra “Capacitação da Atenção Básica e da Gestão: superando desafios na área do envelhecimento”. Nesta entrevista, ela aponta os desafios para a atenção integral à saúde do idoso no horizonte dos próximos 20 anos e alerta: “Se o modelo hospitalocêntrico, centrado na doença, persistir, o SUS não terá condições de garantir a atenção à saúde do idoso com universalidade, equidade e integralidade”.

Envelhecimento: indicativo de sucesso ou um problema?

“O desafio que enfrentamos hoje está menos relacionado à proporção de idosos que teremos em 2030 e mais com a definição do modelo de sociedade e de sistema de saúde que queremos”. Esta é uma das questões levantadas, nesta entrevista, pela socióloga Dalia Romero, pesquisadora do Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), onde lidera o grupo Informação e Pesquisa em Envelhecimento e Saúde do Idoso. Compreendendo o envelhecimento da população como um fator de sucesso, a especialista ressalta a importância dos estudos prospectivos de futuro: “É fundamental comparar modelos de sociedade para que possamos decidir coletivamente, por meio de um pacto social, qual caminho vamos todos seguir”.

Uma mudança estrutural para a Saúde

“É preciso reorganizar o sistema de saúde para que seja possível ofertar atenção integral aos idosos”. A recomendação é do médico Renato Peixoto Veras, diretor da Universidade Aberta da Terceira Idade, da UERJ. Nesta entrevista, o médico discute o futuro do sistema de saúde em um cenário em que 26,7% da população brasileira terá mais de 65 anos, conforme previsto para 2060 pelo IBGE. Para Veras, é fundamental que o SUS reveja seu modelo de atenção, o financiamento setorial e a formação de recursos humanos, para que seja possível atender as necessidades presentes e futuras de uma população em processo de envelhecimento. “Diante da certeza de que doenças crônicas vão prevalecer entre os idosos, devemos trabalhar no sentido da prevenção desses agravos e da promoção da saúde e do autocuidado”, orienta.

Leituras sugeridas

Cenário Sociodemográfico em 2022/2030 e Distribuição Territorial da População: Uso e Ocupação do Solo

Asssinado por Antônio Tadeu Ribeiro de Oliveira Maria Monica Vieira Caetano Oneill, o capítulo integra o segundo volume da série “A Saúde no Brasil em 2030: Diretrizes para a Prospecção Estratégica do Sistema de Saúde Brasileiro”




Modelos de Organização e Gestão da Atenção à Saúde: redes locais, regionais e nacionais

Asssinado por Assis Mafort Ouverney e José Carvalho de Noronha, o capítulo integra o terceiro volume da série “A Saúde no Brasil em 2030: Diretrizes para a Prospecção Estratégica do Sistema de Saúde Brasileiro”




Relatório Mundial de Envelhecimento e Saúde

Publicado em 2015, relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda mudanças profundas na maneira de formular políticas públicas e prestar serviços de saúde às populações que estão envelhecendo


Políticas e programas

Estatuto do Idoso




Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa



Política Nacional do Idoso




Sistema de Indicadores de Saúde e Acompanhamento de Políticas do Idoso


Instituições de referência


Red Latinoamericana de Gerontología





Universidade da Terceira Idade





Ministério da Saúde: Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa



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